Para quem é foliã ou folião de quatro costados, no Rio, o carnaval começa mesmo quando o naipe de sopro do Cordão da Bola Preta toca,

Era a Alvorada do Carnaval às nove horas da manhã com a música de Nelson Barbosa e Vicente Paiva, composta no final da década de 1930, com o nome de “Segura a chupeta”, mas que ficou popularmente conhecida como “Quem não chora não mama.” Nossa turma marcava presença todo sábado de carnaval no Bola. Cada vez mais popular e interclassista, o desfile do centenário Bola ia até uma hora da tarde no centro da cidade. O Rio ainda não vivenciava a proliferação de blocos como ocorre atualmente. E a galera -, Juliana Lins, Juliana Carneiro, Cacá, Gustavo Lacerda, Duncan, Renata Lins, André de Almeida, Claudinha Camarote -, ficava vagando etilicamente pelo centro até o próximo bloco que era o Barbas, em Botafogo, no final da tarde.

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Aí tivemos a ideia de fazer um baile à fantasia com marchinhas tradicionais, sambas históricos, pagodes do cacique. Surgia em 2010, o baile do André Diniz.
As primeiras edições ocorreram na Rua do Ouvidor, com apoio do Marquinho, da tradicional Toca do Baiacu, e do Rodrigo Ferrari, dono da não menos tradicional livraria Folha Seca. A roda ficava entre os dois estabelecimentos comerciais. Difícil enumerar tantas artistas que passaram pela roda, mas os sócios-fundadores foram os talentos do saudoso Galotti, Chico Alves, Pratinha, Pedro Paulo Malta, Tomaz Miranda, Marquinho Basílio, Marcelo Pizzotti, Rodrigo Jesus, Silvério Pontes, Dirceu Leite, Maionese, Marcio Hulk, Rogério Souza, Ronaldo do Bandolim, Ernesto Pires, Dudu Oliveira, Fernando Brandão. No decorrer dos anos, as participações de Moysés Marques, Marcos Sacramento, Toninho Geraes, Elisa Addor, Roberta Nistra, Ana Costa, Alana Moraes, Amanda Anibale e tantos outros talentos foram frequentes.

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Já o samba do André Diniz remonta aos tempos de faculdade de história na Universidade Federal Fluminense no início da década de 1990. Sempre gostei de organizar festa. Churrasco então era meu predileto. Futebol, churrasco e uma roda de samba fechava o trio nos eventos que organizada na faculdade ou entre os amigos da Rua São João, no centro de Nitertói.

Quando fui candidato pela primeira vez, em 1992, passei a organizar rodas mais sistemáticas na esperança de aglutinar votos para minha campanha de vereador. Nascia o Samba do André ainda muito tímido que passou a ocorrer uma vez por ano em vários pontos da cidade de Niterói – sobretudo no bairro de São Domingos.

Já frequentador dos redutos de sambistas do Rio, criei amizades que fortaleciam a ponte Rio-Niterói nas rodas que montava. Quando me elegi a primeira vez, em 2004, vereador pelo PT, meus sambas já não eram só na cidade de Niterói, mas também por vários cantos do Rio de Janeiro. Nomes como Luiz Carlos da Vila, Monarco, Moacyr Luz, Paulão Sete Cordas, Tantinho, Walter Alfaiate, Zé Luiz do Império, Teresa Cristina, Barbeirinho, Chico Alves, Dudu Nobre, Velha Guarda da Portela, Velha Guarda da Mangueira, Velha Guarda da Vila Isabel, Nei Lopes, Sombrinha, Sombra, Nelson Rufino, Marquinhos e Mauro Diniz, Cristina Buarque, Beth Carvalho, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Nelson Rufino, Wilson Moreira, Seu Nelson Sargento, Seu Guilherme de Brito, batiam ponto nas rodas de samba que realizava umas quatro vezes por ano.

Com o lançamento dos meus livros, intensificados nos anos 2000, passei a organizar rodas mais robustas em bares da cidade de Niterói e no Rio, assim como nas ruas do Ouvidor e do Rosário. Como o tempo, o samba do André Diniz se firmou como uma roda mensal reunindo mais músicos do primeiro time da MPB (Maionese, Dirceu Leite, Alessandro do Cavaco, Alana Maraes, Maurício Massunaga, Bruninho Barreto, Agrião, Marcelo Pizzotti, Dinho, Marquinhos Basílio, Iracema, Alana Moraes, Roberta Nistra, Rodrigo Jesus, Tomaz Miranda, Chico Alves), e sempre com um convidado especial. Hoje acontece no primeiro domingo do mês, no Alfa Bar, na rua do mercado 34, do lado do Boulevard Olímpico. Em 2026 o samba do André Diniz completou 25 anos ininterruptos.

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